Artigo de opinião de Francesco Alberoni.
Para quase todos, a experiência da beleza e da revelação da beleza apenas acontece excepcionalmente ou em certos períodos da vida. É o que sentem os pais de crianças pequenas. Sempre que olham para elas, ficam estupefactos e comovidos pela extraordinária graciosidade dos seus corpos, gestos, olhares. É uma contínua surpresa, uma contínua descoberta da beleza, que se torna necessidade de os abraçar e beijar para ficar com qualquer coisa deles. O mesmo se passa quando estamos apaixonados e observamos, encantados, o rosto, o corpo, o modo de falar e de andar da pessoa amada e ficamos gratos por nos ter sido concedido tão grande dádiva, tão incrível privilégio.
Mas o amor também nos permite ver a beleza do mundo que nos rodeia. Há quem diga que é uma ilusão, que quando estamos apaixonados projectamos no mundo as nossas fantasias, mas eu penso que, pelo contrário, potenciamos as nossas capacidades para ver e ouvir. A mãe que brinca feliz com o filho vê com maior intensidade as cores dos brinquedos, ouve o chilrear dos passarinhos. E quando fazemos uma viagem com a pessoa por quem estamos apaixonados percebemos, qual revelação, a deslumbrante beleza das casas da cidade que visitamos, o encanto dos recifes que se precipitam no mar, o brilho de um pôr do Sol, a sublime poesia de uma catedral ou mosteiro que nunca tínhamos visto. E tudo se multiplica quando comentamos, quando partilhamos esses pensamentos e emoções com o ser amado.
E, quando apreciamos a beleza de uma paisagem ou de uma obra de arte sozinhos, temos uma experiência que se assemelha ao êxtase. Nesse instante, é como se caíssem as barreiras que nos isolam do mundo e a essência do objecto irrompe, apodera-se de nós. É como no amor: quando entramos em contacto directo com a natureza profunda do outro, captamos-lhe a incrível e assombrosa singularidade.
Não devemos maravilhar-nos por o amor nos levar a ver a beleza. Abre os olhos, escancara o coração, põe-nos em contacto directo com a realidade. Dá-se o oposto se estivermos fechados sobre nós mesmos, tristes, cheios de raiva e desconfiados porque, quando o nosso coração está fechado, os nossos olhos também o estão. E até podemos passar em frente das mais belas maravilhas naturais, das mais sublimes obras de arte sem as ver nem sentir.
terça-feira, 1 de junho de 2010
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Um estupendo 2010!!!
Não se esqueçam, que num ano inteiro, temos tempo para rir e para chorar, tempo para trabalhar e para descansar, tempo para estarmos com os outros e tempo para estarmos só com nós mesmos, tempo para abraçar e tempo para afastar, para reflectir e para vegetar, tempo de fortaleza e tempo de fraqueza, para dormir e para acordar,tempo para sonhar e tempo para sermos pragmáticos, para falar e para ouvir, para elogiar e para repreender, tempo para prosa e tempo para poesia. No fim de tudo e daqui a 365 dias, que olhemos para trás, e vejamos que crescemos, que estivemos à altura dos nossos valores e das nossas convicções. E que nem que seja só no nosso interior, possamos sorrir.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
No intervalo da agitação, e dos encontros e das fugas, sinto agora a solidão. Os demónios vêm e rodeiam-me. Resisto muito pouco. Agora estou numa pausa do barulho, da agitação. Sinto a falta do que me faz falta. Posso durante alguns dias, ou algumas semanas, manter os fantasmas afastados, mas quem já não volta, volta em memórias e pensamentos, volta em sentimentos, mas nunca, nunca volta por inteiro. Faz algum sentido resistir ao choro? Mesmo que saiba que não consigo evitar? Será que me devo agora revoltar contra o que a vida me preparou?
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
David Fonseca, "A Cry 4 Love"
O ultimo single de David Fonseca, do seu futuro album. Fantástica a música. Comovente a letra.
domingo, 30 de agosto de 2009
Razorlight, "America"
Filme "My Life in Ruins"
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
in "Deuses Americanos", Neil Gaiman, Ed. Editorial Presença
A melhor maneira de descrever um conto é contá-lo. Compreendem? Para se descrever uma história, a nós próprios ou ao mundo, é preciso contá-la. Trata-se de um acto de equilíbrio e de um sonho. Quanto mais exacto for o mapa, mais se assemelha ao território representado. O mapa mais exacto possível seria o próprio território, pelo que seria simultaneamente perfeitamente exacto e perfeitamente inútil.
O conto é o mapa que é o território.
Não se esqueçam disto.
(Excerto das Notas do Sr. Íbis)
O conto é o mapa que é o território.
Não se esqueçam disto.
(Excerto das Notas do Sr. Íbis)
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